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Pets e saúde mental: Porque eles ajudam (mas não resolvem) o equilíbrio emocional

pets e saúde mental psicólogo Ângelo Oliveira CRP 04-80909 modo avião

Não é de hoje que a relação entre pets e saúde mental é foco de estudos acadêmicos. E, em um deles, a Revista Científica Social Indicators Research comprovou o que todos que têm um animal de estimação sempre souberam: os benefícios dessa convergência. Em resumo, a ciência, mais uma vez, transformou uma percepção em fato.

Contudo, há outro recorte na mesma pesquisa que muitas pessoas ignoram e é preciso pontuar: Nenhum pet é capaz de solucionar desequilíbrio emocional.

Pois é, doeu aí também? Pois como tutor de 3 gatos, devo admitir que adoraria me opor a esse resultado e  ignorá-lo sem ao menos consultar. Mas não o faço porque, não se trata de uma questão subjetiva e, sim, de um fato que merece ser compreendido com razão e  bom senso. E, neste conteúdo, te convido a refletirmos o porquê.

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O que a ciência diz (e muitos não leem até o final)

Para começarmos, uma outra pesquisa. Desta vez, a cargo da Edelman Intelligence, em parceria com HABRI e Mars Petcare. Nele, identificou que cerca de 80% das pessoas se sentem menos solitárias ao conviver com um animal de estimação.

E ambos, certamente, já ouvimos alguém circular essa notícia. O que circula pouco é que esse recorte não representa a pluralidade de resultados que a Ciência analisa em diferentes cenários. Alguns, aliás, vão contra opiniões que a maioria de nós irá ler com surpresa.

Por exemplo, um estudo publicado em 2021 na Austrália concluiu que, durante o lockdown, os tutores de pet tiveram piora na qualidade de vida, comparados a quem não tinha. Outro, realizado com 1500 canadenses, achei inconclusiva a afirmação de que pet e saúde mental podem melhorar o bem-estar.

Mas em qualquer uma destas análises, é preciso entender: Nenhuma delas invalida o que você sente quando seu gato sobe no seu colo depois de um dia horrível no banco. Muito menos quando o cão de rabo agitado te aguarda no portão com uma alegria única. 

Valida, entretanto, a pergunta certa: sob quais condições os pets ajudam – e quando essa conta não fecha?

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Onde eles genuinamente colaboram

Mesmo se quisesse, eu seria incapaz de diminuir o que esses animais fazem. Porém, diferente do que imaginei a vida toda, parte dos sentimentos que tenho pelos meus bichos já foram nomeados pela Ciência.  Com eficácia comprovada, veja só:

Fazer carinho em um animal é capaz de reduzir a frequência cardíaca e a pressão sanguínea, segundo a médica veterinária Líbia Cristina Franco. Ou seja, não é metáfora: é resposta fisiológica mensurável.

Além disso, comprovou-se que a interação com animais funciona como uma válvula de escape para situações tensas (Fuchs, 1987). Em resumo, equivale a dar uma volta no quarteirão antes de responder um e-mail que vai causar problemas. Aliás, no vocabulário de quem trabalha em ambiente bancário, o nome preciso é regulação emocional pontual.

Para concluir, um estudo do Reino Unido com quase 6.000 participantes mostrou que ter um pet foi associado à menor piora na saúde mental. Neste caso, quando se considera períodos de alta tensão social (Ratschen et al., 2020).  Menor piora – não ausência de sofrimento. A diferença importa.

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Outros benefícios dos pets à saúde mental humana

Os benefícios documentados na relação entre pets e saúde mental, têm entre os resultados mais significativos:

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Aliás, a questão sobre estímulo à responsabilidade e estrutura de horários me interessa muito. Isso porque a rotina que o pet impõe é, muitas vezes, a âncora emocional que a pessoa não conseguiu criar sozinha. Por exemplo, a hora de comer, hora de brincar, hora de parar. Para quem vive no modo automático de metas, isso tem valor terapêutico real.

Numa analogia ao contexto bancário, podemos dizer que pets são como um cashback de afeto: gostoso de receber, útil no dia a dia, mas insuficiente para quitar a fatura emocional inteira.

O que nos leva ao próximo – e extremamente sério – tópico.

O mito de quem não gosta de pet

Há um mito social persistente que julga de forma negativa quem declara não gostar de pets. De modo geral, associa tal preferência a traumas ou a um caráter questionável. O que muitos ignoram – e que já possui artigo científico sobre o tema – é que: não gostar de pets pode ser apenas uma combinação de história pessoal, rotina, limites e autoconhecimento.

Em resumo, essa escolha pode nascer da busca por praticidade ou da preferência por um estilo de vida mais silencioso e independente. Além disso, indicar tão somente uma postura honesta que priorize o bem-estar de uma forma diferente da que considera quem cuida de um animal.

Ou seja, é preciso repensar o modo como limitamos as nossas percepções sobre afeto e convivência. Não apenas como exercício de combate a preconceitos como para não ser parte de uma consciência coletiva que reproduz estereótipos que geram ruídos sociais desnecessários.

Quer ter um pet? O cuidado que ninguém fala antes de adotar

Após delimitar como a relação entre pets e saúde mental pode ser terapêutica – sem ser terapia – trago para uma última reflexão sobre o assunto, algumas orientações para quem pensa em ter um (ou mais um) pet.

Se o motivo envolve se sentir melhor (algo dito por todos que recomendam a companhia de um animal de estimação) tenha em mente o seguinte: a companhia de um pet tende a amplificar o estado emocional em que você se encontra – não necessariamente corrigi-lo.

Como explica o mesmo estudo de Ratschen et al. (2020,), as pessoas com pior saúde mental pré-existente costumam desenvolver vínculos mais intensos com os animais. Em outras palavras, isso pode ser tanto um recurso quanto uma sobrecarga, a depender do suporte que você possui.

Além disso, um pet precisa de você nos seus piores dias. E se você já está no limite, a responsabilidade de cuidar de outro ser vivo pode aumentar a pressão antes de aliviá-la.

Então, antes de adotar um pet, pense assim: você não abre uma empresa quando está endividado sem antes ter um plano. O mesmo raciocínio vale aqui.

Então, vale a pena adotar?

Sim. Mas sempre com consciência.

Afinal, adotar não é impulsivo quando você entende o que pretende adicionar ao seu cotidiano – e isso também inclui a responsabilidade. E quando há equilíbrio mínimo para sustentar essa relação, os ganhos são reais e mensuráveis. Afinal, o vínculo humano-animal é uma das formas mais antigas de regulação emocional que existem.

Meu exemplo prático, sob a ótica de um profissional de psicologia que também é tutor, sempre funciona para mim como lembrete de que meus três gatos não resolvem  meus processos internos. Mas eles me dão aquele gatilho adicional, todo dia, para que eu nunca esqueça que existe algo vivo me esperando.

E que isso, por si só, já é razão para voltar pra casa com mais calma do que eu saí. Se você está considerando adotar e está em BH ou região metropolitana, veja a seguir onde adotar com segurança. Caso esteja em outra cidade, busque uma ONG local.

Onde adotar pet em BH
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