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Burnout no trabalho: Quando o fluxo do caixa mental entra no vermelho e requer cuidado

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Eu convivo e sei da rotina de muitas pessoas que aprenderam a funcionar no limite e passaram a chamar isso de normal. Contudo, o problema é que o burnout no trabalho raramente começa com um colapso visível. Afinal, na maioria das vezes, ele se instala enquanto a pessoa ainda entrega, ainda responde, ainda bate meta, mas já perdeu descanso, presença e capacidade real de recuperação.

A definição ajuda a tirar esse tema do achismo. Para isso, a Classificação Internacional de Doenças 11 (CID-11) descreve o burnout como um fenômeno ocupacional ligado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso. Mas não é apenas isso. Em resumo, ele é marcado por exaustão, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.

Burnout no trabalho e a relação direta de como se vive

E falo sobre isso também a partir da minha própria trajetória. Vivi a pandemia conciliando trabalho e estudo, em uma fase em que seria muito fácil romantizar sobrecarga. Também trabalhei por um ano em Ouro Preto enquanto já morava em Belo Horizonte, precisando adaptar a vida pessoal a uma rotina em que eu praticamente só estava presente nos fins de semana. Em outro período, trabalhei mais de dois anos em Igarapé morando em BH, com cerca de uma hora no deslocamento de ida e outra na volta.

Além disso, experienciei de perto uma rotina bancária intensa em uma das agências de maior movimento de Minas Gerais, no Barreiro. Tudo isso me ensinou algo simples: nem toda alta performance significa saúde. E que é preciso cuidado contínuo para não ter um burnout no trabalho.

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O corpo avisa antes (Mesmo quando não prestamos atenção)

Um dos maiores erros sobre burnout no trabalho é achar que ele surge de repente. Na prática, ele vai se construindo quando a pessoa entra num modo de sobrevivência: dorme, mas não descansa; folga, mas não se recupera; produz, mas com custo psíquico cada vez maior.

Eu costumo resumir assim: há momentos em que a agenda continua no azul, mas a mente já entrou no vermelho. Aliás, os números mostram que isso não é detalhe.

A Organização Mundial da Saúde informa que 15% dos adultos em idade de trabalho viviam com algum transtorno mental em 2019. A mesma OMS estima que depressão e ansiedade provoquem a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com um custo de US$1 trilhão em produtividade.

Quando eu digo que saúde mental no trabalho é tema de gestão, e não apenas de sensibilidade individual, é disso que estou falando.

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Dados de burnout e números do setor bancário

No Brasil, o cenário também chama atenção. Dados do INSS reportados pelo G1 mostram que 421 pessoas foram afastadas por burnout no trabalho em 2023, o maior número dos últimos dez anos. Em 2019, esse número era de 178 afastamentos, o que representa uma alta de 136% em quatro anos. No mesmo levantamento, o país registrou 10.028 auxílios-doença por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho em 2023, uma média de 27 trabalhadores afastados por dia. A seguir, confira números de um recorte específico, apurado pelo Sindicato dos Bancários e publicado no final de 2025.

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O problema não é só a carga

Quando alguém se vê exausto, não se deve apenas à quantidade de tarefas. Afinal, é necessário olhar para a lógica que sustenta essa rotina. A OMS destaca que ambientes de trabalho ruins, com carga excessiva, baixa autonomia, insegurança no emprego, papel pouco claro, pouco apoio e supervisão autoritária, aumentam o risco para a saúde mental. Ou seja: muitas vezes a pessoa não está adoecendo porque “não aguenta pressão”; ela está adoecendo porque vive tempo demais sob uma pressão mal organizada.

E há diversas causas que apontam para a questão. Por exemplo, há profissionais brilhantes que desenvolveram regras internas duras demais, como “eu preciso dar conta de tudo”, “não posso decepcionar ninguém” ou “descansar é perder valor”. Quando esse padrão mental encontra um ambiente de cobrança alta, o resultado costuma ser perigoso. O sofrimento cresce, mas a pessoa continua tentando compensar com mais esforço.

É aí que a conta começa a chegar.

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O que considero prevenção de verdade

Primeiramente, é preciso desmistificar o conceito de que prevenção se resume a “ter equilíbrio” como se isso resolvesse sozinho. Para mim, prevenir burnout no trabalho é fazer ajustes concretos antes da quebra. A seguir, trago alguns exemplos práticos e cientificamente com evidências comprovadas, conforme dados do site da OMS.

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Em síntese, o ponto aqui é fugir do óbvio. Isso porque burnout no trabalho não melhora só com um fim de semana livre se a pessoa volta para a mesma lógica de excesso, culpa e urgência permanente.

Onde começa a saída

Eu não acredito na ideia de que a solução é abandonar a ambição. Não só porque há um contexto no mundo profissional que exige isso como há pontos positivos no trabalho que não podem ser ignorados. Ou seja, a recorrente brincadeira de pensar em “largar tudo e ir vender a arte na praia” não será eficaz sem interesse, propósito e disciplina.

Também não compro a fantasia de que basta “aguentar mais um pouco”. Por outro lado, o que eu vejo funcionar passa por reconhecer o custo psíquico de como se trabalha e reorganizar a relação com o trabalho antes que o corpo imponha essa pausa.

Se hoje você sente exaustão constante, irritabilidade, distanciamento emocional do trabalho ou queda real de rendimento, talvez o problema não seja falta de disciplina. Talvez seja excesso sem recuperação. E essa é uma diferença importante. Porque, quando eu nomeio certo, eu consigo intervir melhor.

Eu gosto de pensar nisso com uma analogia simples do mundo financeiro: nenhuma operação se sustenta por muito tempo quando só se olha faturamento e ninguém olha fluxo de caixa.

Com a saúde mental, acontece algo parecido. Você pode continuar entregando por um período. Mas, se toda entrega vier às custas de sono, presença, vínculo e energia psíquica, o fechamento desta conta tende a vir.

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Perguntas frequentes sobre burnout no trabalho

Burnout é um estado de esgotamento físico e emocional ligado ao estresse crônico no trabalho. Na prática, muitas pessoas percebem queda de energia, irritabilidade, distanciamento emocional e sensação de que já não conseguem render como antes. [ppl-ai-file-upload.s3.amazonaws](https://ppl-ai-file-upload.s3.amazonaws.com/web/direct-files/collection_28168c02-c86a-4d1f-9100-b16a7b703fde/fbcce34b-8415-4368-a039-f50cfdfbfa54/FAQ-angelo.txt)
Os sinais mais comuns do burnout no trabalho incluem cansaço constante, dificuldade de concentração, insônia, irritabilidade, sensação de fracasso, desânimo e vontade de se afastar das demandas profissionais. Quando isso se mantém por semanas ou meses, vale investigar com cuidado.
O cansaço comum costuma melhorar com descanso. No burnout no trabalho, o sofrimento tende a persistir, mesmo quando a pessoa tenta desacelerar, e costuma vir acompanhado de exaustão emocional, queda de desempenho e sensação de estar no limite quase todos os dias.
Sim. A psicoterapia ajuda a entender os gatilhos do esgotamento, reorganizar pensamentos, rever padrões de cobrança excessiva e construir estratégias mais saudáveis para lidar com pressão, metas e sobrecarga. Na TCC, o foco é transformar isso em manejo prático no dia a dia. Ângelo Oliveira, CRP 04-80909.
A prevenção passa por reconhecer sinais precoces, ajustar limites, reduzir a exposição contínua à sobrecarga e criar rotinas de recuperação emocional. Em profissões com metas e cobrança elevada, cuidar da saúde mental antes do colapso é mais eficiente do que tentar reparar o prejuízo depois.

Fontes

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